Um presente que veio de longe
Autora: Cristina Sato
Páginas: 174
Editora: Salesiana
O livro Um presente que veio de longe vai nos apresentar a trajetória dos imigrantes japoneses no Brasil, os chamados decasséguis (descendentes de japoneses) no Japão.Não se trata de um livro de cunho histórico, mas os elementos da história serão cunhados nesta produção literária,e construirão um cenário de beleza, encanto na história de vida do Japão.
Iremos conhecer juventude, o comportamento e ascensão social dos imigrantes japoneses, a convivência entre a tradição japonsesa e os costumes brasileiros, e esta integração, gerando a multiculturalidade.
O núcleo central familiar da trama, residente no Brasil, em São Paulo, são Sergio, Marina, Sr Hikaru, avô e Sr. Atsushi, bisavô de Sergio.
Sérgio era um ainokô, um mestiço, mistura de japonês e outra origem, e isso era vergonhoso para sua avó. O jovem não conheceu seus pais, devido aos envolvimentos de sua mãe com o movimento estudantil no Brasil, e subitamente ela deixa o bebê na casa dos pais, e depois, nunca mais aparece. Marina, irmã da mãe de Sergio, dentista, castrada pela cultura oriental dos pais, anulou-se até o falecimento do seu pai.
A cultura, convívio e as tradições, mesmo residindo em outro país, elas são migradas, assim como as pessoas.
O personagem principal, Sérgio , desde pequeno é rejeitado pela avó,acarretado pelo fato da mãe dele ter sumido no mundo, e também, pelo menino ter sido gerado de uma mescla entre japonês e brasileiro, pois na época havia uma exigência de ser preservada a pureza japonesa, assim mantendo a tradição da comunidade nipônica.
Há trechos que merecem destaque pelos significados que são construídos sobre a história dos personagens, como no trecho abaixo:
O avô de Sérgio diz:
“Meu nome, por exemplo. Meu pai escolheu Hiraku, que quer dizer aquele que brilha, porque o Brasil é um país tropical, uma terra cheia de luz”
É revelado para Sérgio, quando o menino tem 11 anos,o significado do nome dele, que era Sergio Jun Yamamoto, e o mesmo fica impressionado ao ouvir:
“Jun significa pessoa sincera, calorosa, afetuosa. Meu pai (avô de Sergio) era assim, como o nome diz. Acho que sua mãe queria que você fosse bom para os outros e para consigo mesmo. Ter compaixão não é ser fraco, mas compartilhar o mesmo sentimento.”
Esta revelação do nome, num significado e cuidado tão enfatizado na cultura japonesa, é um dos belos capítulos do livro.
E assim Sérgio vai tecendo sua vida, torna-se um rapaz e vive numa solidão familiar, em só podia contar com o apoio da tia Marina. Ambos moram na casa dos avós de Sérgio, e sua avó é um pessoa muito difícil de relacionamento, tanto que não permite que a filha solteira, Marina, possa ter sua própria residência, pois como matriarca, pretende manter o controle familiar.
Tantas rejeições e ausências, só resta o afeto do idoso Hikaru, que vem a falecer.. e tudo vai mudar, tanto na vida de Sérgio, quanto na vida de Marina....
Claro que não acabou, tem muito mais, querem saber....
Leiam a continuação da resenha na sexta-feira, dia 18.
Que presente virá de tão longe?
Brasil- Japão, Sérgio e Marina irão tomar uma grande decisão em suas vidas..
Até sexta!!!
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Were this world an endless plain, and by sailing eastward we could for ever reach new distances